Município de Alenquer

Património Natural do Concelho de Castro Verde

Caraterização

Com uma paisagem pouco acidentada, de vegetação parca, solos xistosos e terras claras, a região de Castro Verde é o coração do Campo Branco. O coberto vegetal esclerófilo, de folhagem dura, carateriza-se por manchas raras de azinheiras, alguns sobreiros e pequenas cercas de olival.

Aqui e ali, pequenas linhas de água rasgam a morfologia padronizada na planície deste concelho. Duas pendentes caracterizam a região de Castro Verde, fazendo correr as águas de Inverno para o Guadiana e para o Sado. Duas bacias hidrográficas marcadas, a primeira, pelas ribeiras de Cobres e Maria Delgada, Terges e Oeiras; a segunda, pelos barrancos da Gata, do Montinho e das Almoleias.

Os sistemas cerealíferos extensivos e as pastagens seminaturais que caracterizam o concelho de Castro Verde, têm marcado sistematicamente, e durante centenas de anos, o território natural do concelho. Padrão de ocupação do solo muito particular, terra limpa, com rotações de cereais e pousios longos. Neste habitat pseudo-estepário, adaptaram-se várias espécies de aves, hoje na sua maioria em vias de extinção.
A Abetarda, a verdadeira rainha da estepe, o Sisão, o Cortiçol de Barriga-Preta, o Penereiro-das-Torres, o Grou, o Rolieiro, a Cegonha Branca, entre muitas outras, compõem a riqueza do mosaico natural, que está momentaneamente protegido pelo Projecto Biótopo Corine.

O Plano Director Municipal de Castro Verde, publicado em 1993, consagra legalmente a interdição na área do Biótopo Corine, mais de 2/3 da área do concelho, à instalação de florestas de crescimento rápido, apontando-se para a recuperação da agricultura tradicional. Procura-se assim compatibilizar o uso da terra com a preservação da natureza, muito particularmente, da sua avifauna.

Neste contexto o Programa Zonal de Castro Verde veio consagrar apoios importantes aos agricultores que viabilizam a estratégia preconizada no P.D.M., e cujos resultados são hoje particularmente visíveis, não apenas na protecção das espécies, mas igualmente na salvaguarda dos terrenos delgados da região. Desta forma, a área do Biótopo de Castro Verde, classificada como Z.P.E., no âmbito da Directiva 79/409/CEE, integrando a Rede Natura 2000, aguarda neste momento a definição dos seus instrumentos de gestão.

A riqueza natural do concelho, em especial ao nível de avifauna, e os trabalhos de conservação desenvolvidos (Plano Zonal) tem sido apontada como exemplo a nível europeu. Também aqui a Liga Para Protecção da Natureza (LPN), tem vindo a desenvolver uma importante actividade, nomeadamente na aquisição de propriedades, que constituem reservas biológicas, e onde decorrem projectos de conservação de habitats e salvaguarda das espécies ameaçadas.


Clima

Tipicamente mediterrânico, com duas estações bem definidas:

O Inverno, frio e pouco chuvoso. E o Verão, quente e seco. A temperatura média anual ronda os 15,8 graus. Com grandes amplitudes térmicas, as temperaturas atingem máximos, no Verão, acima dos 43º, enquanto no Inverno, as mínimas, descem abaixo dos 0ºC. A Precipitação é irregular, podendo sofrer grandes variações de ano para ano. A época do ano mais chuvosa é a que medeia os meses de Novembro a Março, com valores médios mensais de 80 mm3. A época do ano mais seca é o período de Junho a Agosto, com valores médios nunca superiores a 15mm3.


Relevo e Geologia

Metade da área do concelho é constituída por zonas planas e onduladas (peneplanícies) muito extensas. A variação altimétrica varia entre os 110 e os 289m. Aqui abundam os xistos e os grauvaques, para além de alguns afloramentos de quartzíticos. O concelho é atravessado na zona sul e poente por um complexo vulcano-sedimentar de Faixa Piritosa de elevado teor de Cobre e Estanho.